Victor Boris Santos Maciel, consultor em gestão e resultados empresariais, além de CEO da VM Associados, acompanha de perto a evolução do compliance tributário no Brasil e destaca que a publicação da ABNT NBR 17301 representa um marco importante para as empresas. A norma surge em um contexto de reforma tributária, maior fiscalização digital e necessidade crescente de segurança jurídica. Mais do que um selo ou certificação, ela propõe um modelo estruturado de gestão de riscos tributários, alinhado a boas práticas de governança.
O grande valor da NBR 17301 está em transformar obrigações fiscais em processos organizados e previsíveis. Ao adotar um sistema de compliance tributário, a empresa deixa de atuar de forma reativa e passa a gerir tributos com método, controle e transparência, protegendo caixa, reputação e sustentabilidade do negócio. Neste artigo, vamos entender como a aplicação da norma pode estruturar a governança tributária e reduzir riscos no ambiente empresarial.
O que é a ABNT NBR 17301 e por que ela se tornou tão relevante?
A ABNT NBR 17301 é uma norma brasileira que estabelece diretrizes para a implementação de sistemas de gestão de compliance tributário. Ela foi construída com base em referências internacionais, como a ISO 37301 e a ISO 37000, conectando conformidade fiscal à governança corporativa.

Victor Boris Santos Maciel explica que a relevância da norma está na padronização de práticas que antes eram dispersas. A NBR 17301 não cria novas obrigações legais, mas organiza o cumprimento das já existentes. Em um ambiente de maior digitalização e cruzamento de dados, essa organização reduz riscos, melhora a previsibilidade e fortalece a relação da empresa com o Fisco e com seus stakeholders.
Como a norma se conecta à governança e à estratégia empresarial?
O compliance tributário não deve ser tratado como um tema isolado da estratégia do negócio, informa Victor Boris Santos Maciel. A NBR 17301 propõe integração entre controles fiscais, tomada de decisão e governança corporativa, criando uma visão mais ampla da gestão empresarial.
Essa conexão permite decisões mais seguras e alinhadas aos objetivos da empresa. O CEO da VM Associados observa que a governança aplicada ao campo tributário ajuda a definir responsabilidades, fluxos de aprovação e critérios claros de controle. Com isso, o tributo deixa de ser apenas um custo operacional e passa a ser gerido como um risco estratégico, diretamente relacionado à continuidade e ao crescimento sustentável da organização.
Quais controles mínimos uma empresa precisa implementar?
A implementação da NBR 17301 não exige estruturas complexas, especialmente para pequenas e médias empresas. Os controles mínimos envolvem mapeamento de riscos tributários, definição de responsabilidades, padronização de rotinas e documentação adequada das decisões fiscais.
O ponto central é a consistência, isso porque, como expõe o especialista em planejamento tributário e estratégia empresarial, Victor Boris Santos Maciel, controles simples, quando bem definidos, reduzem significativamente falhas e retrabalho. A formalização de procedimentos, aliada à revisão periódica, cria uma base sólida de conformidade. Esse modelo proporcional torna o compliance viável e eficiente, sem engessar a operação ou aumentar custos desnecessários.
Autoavaliação, Confia e certificação: O que faz sentido para cada empresa?
A norma permite diferentes níveis de maturidade em compliance tributário. A autoavaliação é o primeiro passo, ajudando a empresa a identificar lacunas e prioridades. Programas como o Confia, da Receita Federal, e certificações por terceiros representam estágios mais avançados.
Nem todas as empresas precisam buscar certificação formal imediatamente. Victor Boris Santos Maciel orienta que o mais importante é construir uma base sólida e confiável. A escolha do nível de adesão deve considerar porte, complexidade e apetite a risco. Evoluir de forma gradual garante ganhos reais em segurança fiscal e credibilidade institucional.
Como medir maturidade e reduzir riscos sem burocratizar a empresa?
Para medir maturidade em compliance tributário envolve avaliar processos, controles e cultura organizacional. Indicadores simples, como reincidência de erros, retrabalho e contingências, já oferecem sinais claros do nível de risco.
Victor Boris Santos Maciel conclui dessa maneira que um compliance eficiente é aquele que funciona no dia a dia. O consultor em gestão e resultados empresariais ressalta que excesso de burocracia afasta equipes e compromete resultados. Dessa forma, a empresa reduz riscos tributários, melhora a governança e fortalece sua capacidade de crescer com segurança.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez