O desenvolvedor imobiliário Guilherme Campos faz parte de um grupo restrito de empreendedores que observam com interesse estratégico o movimento silencioso em Roraima: o crescimento regional que o mercado tradicional ainda ignora. Para o empresário, o interior de Roraima guarda uma combinação de fatores que, nos próximos anos, deve pressionar a demanda por infraestrutura urbana, acesso à moradia e serviços em municípios que hoje ainda operam com estrutura mínima.
Embora Boa Vista concentre quase toda a atenção de quem fala sobre desenvolvimento imobiliário em Roraima. É compreensível: a capital reúne mais de 60% da população do estado e é onde a maior parte dos empreendimentos está sendo lançada. Mas existe um movimento paralelo acontecendo no interior que começa a chamar a atenção de quem acompanha o crescimento regional com mais profundidade.
O que está acontecendo nos municípios do interior de Roraima?
O agronegócio é o principal motor desse movimento. Municípios como Mucajaí, Alto Alegre, Bonfim e Cantá vêm registrando crescimento na atividade pecuária e agrícola, o que atrai trabalhadores, fornecedores e prestadores de serviço que precisam se instalar na região. Segundo Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro, essa dinâmica, como consequência, cria demanda por moradia, comércio e serviços que a estrutura atual desses municípios ainda não consegue atender com qualidade.
O padrão é conhecido por quem estudou o desenvolvimento de cidades do agronegócio em Mato Grosso ou no oeste da Bahia nas décadas de 1990 e 2000. Primeiro vem a atividade produtiva, depois o crescimento populacional, depois a demanda urbana. Roraima está na fase de transição entre o segundo e o terceiro estágio em vários desses municípios.
Por que o mercado imobiliário demora a reagir a esse tipo de movimento?
A resposta tem mais a ver com percepção do que com falta de oportunidade. Afinal, investidores e desenvolvedores imobiliários tendem a seguir mercados já validados, nos quais a demanda é visível e o risco parece menor. Em contrapartida, municípios pequenos do interior de Roraima não aparecem nos radares tradicionais de análise imobiliária, o que cria uma janela de oportunidade para quem está disposto a fazer uma leitura mais cuidadosa do território.

Guilherme Campos entende esse mecanismo. O desenvolvedor imobiliário construiu parte da sua experiência justamente aprendendo a distinguir mercados com demanda real daqueles que apenas parecem promissores à primeira vista. Essa capacidade de leitura é o que permite identificar oportunidades antes que elas se tornem óbvias para todos.
Infraestrutura urbana como pré-requisito para o crescimento dos municípios
Existe um gargalo claro no interior de Roraima: a infraestrutura urbana não acompanha o ritmo do crescimento econômico em várias regiões. Na prática, municípios que aumentaram sua produção agropecuária nos últimos anos ainda convivem com déficit habitacional, ausência de loteamentos regularizados e falta de opções de moradia formal para a população que chegou atraída pelo trabalho.
Esse déficit é, ao mesmo tempo, um problema social e uma oportunidade de mercado. Como pontua Guilherme Campos, loteamentos planejados com infraestrutura básica garantida teriam absorção praticamente imediata em vários desses municípios, dado o nível atual de demanda reprimida. O desafio está na escala dos empreendimentos e na capacidade de viabilizar projetos fora do eixo da capital.
Crescimento distribuído: o modelo que Roraima precisa adotar
Estados que concentram toda a sua dinâmica econômica na capital tendem a criar desequilíbrios difíceis de corrigir depois. Boa Vista já sente os efeitos desse modelo: pressão sobre a infraestrutura urbana, aumento do custo de vida e expansão desordenada em algumas regiões periféricas.
Distribuir o crescimento pelo interior não é apenas uma questão de política pública. É também uma decisão de mercado que pode beneficiar empreendedores dispostos a atuar em regiões onde a concorrência ainda é baixa e a demanda, crescente.
Guilherme Campos representa o perfil de empresário que pensa Roraima de forma integral, não apenas pela perspectiva da capital. Afinal, a experiência do investidor no setor imobiliário e no agro em diferentes regiões do estado é o que permite uma leitura mais completa das oportunidades que o crescimento roraimense está criando, dentro e fora de Boa Vista.
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Autor: Diego Rodríguez Velázquez