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Leitura: Humanização do cuidado redefine a assistência a pacientes em fase paliativa
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Humanização do cuidado redefine a assistência a pacientes em fase paliativa

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez Publicado em junho 22, 2026
Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Em um contexto marcado por avanços técnicos constantes na medicina, a humanização do cuidado voltou a ocupar posição central nos debates sobre cuidados paliativos. Yuri Silva Portela, pós-graduando em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, integra essas discussões que buscam equilibrar rigor clínico e atenção integral ao paciente em fases avançadas de doenças graves. O movimento reflete uma crítica antiga, porém ainda atual, sobre os limites de protocolos puramente técnicos quando aplicados a situações de extrema fragilidade.

Cuidados paliativos não se confundem com ausência de tratamento; pelo contrário, exigem planejamento detalhado, comunicação clara entre equipe e família, e atenção constante a sintomas que comprometem conforto e dignidade. A diferença está no objetivo terapêutico, voltado ao alívio do sofrimento e à preservação da qualidade de vida, e não necessariamente à cura da condição de base.

Comunicação como pilar da humanização

Entre os elementos mais determinantes para uma assistência verdadeiramente humanizada, está a qualidade da comunicação entre equipe médica, paciente e família. Informações transmitidas de forma clara, sem excesso de jargões técnicos, ajudam a reduzir angústias relacionadas ao prognóstico e às decisões terapêuticas futuras. Como pontua doutor Yuri Silva Portela, a escuta atenta costuma revelar necessidades que protocolos padronizados não conseguem captar isoladamente, sobretudo em contextos culturais diversos como os encontrados em regiões do interior do país.

A falta de diálogo estruturado, por outro lado, tende a gerar decisões tomadas sob pressão emocional, sem o devido amadurecimento. Equipes treinadas para conduzir conversas difíceis com empatia conseguem reduzir conflitos familiares e alinhar expectativas de forma mais realista.

Por que o acesso a cuidados paliativos ainda é desigual no Brasil?

Apesar dos avanços conceituais, o acesso a equipes especializadas em cuidados paliativos permanece concentrado em grandes centros urbanos, deixando regiões do interior com poucas alternativas estruturadas. Desse modo, iniciativas locais voltadas à capacitação de profissionais e à criação de redes de apoio comunitário surgem como resposta parcial a essa lacuna, embora ainda dependam de articulação constante entre poder público e sociedade civil.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Além disso, projetos sociais ligados à área de saúde, ao atuarem diretamente em territórios com infraestrutura limitada, contribuem para reduzir parte dessa desigualdade. Yuri Silva Portela está vinculado a esforços nessa direção, voltados especificamente a populações do semiárido nordestino por meio do projeto Humaniza Sertão, onde a oferta de cuidado especializado ainda enfrenta barreiras geográficas e logísticas relevantes.

Dimensão familiar nos cuidados paliativos

A família ocupa papel central durante todo o processo de cuidado paliativo, atuando tanto no suporte emocional quanto em decisões práticas sobre conduta terapêutica, informa Yuri Silva Portela. Esse envolvimento, no entanto, exige preparo e orientação contínua, já que muitos familiares enfrentam sobrecarga física e psicológica ao longo do acompanhamento. Equipes multiprofissionais bem estruturadas costumam incluir suporte psicológico direcionado a esses cuidadores, reconhecendo que o bem-estar deles impacta diretamente a qualidade da assistência prestada ao paciente.

A capacitação contínua das equipes multiprofissionais representa outro fator determinante para a qualidade dos cuidados paliativos oferecidos. Treinamentos voltados ao manejo de sintomas complexos e à condução de conversas sensíveis ajudam profissionais a lidar com situações de alta carga emocional sem comprometer a precisão técnica do cuidado prestado.

Conforme elucida Yuri Silva Portela, diretivas antecipadas de vontade, quando discutidas previamente entre paciente, família e equipe médica, reduzem incertezas em momentos de maior fragilidade clínica. Esse tipo de planejamento antecipado evita decisões tomadas sob pressão e preserva a autonomia do paciente até as últimas etapas do tratamento.

A humanização do cuidado, nesse sentido, ultrapassa a relação entre equipe e paciente e se estende a toda a rede de apoio envolvida. Reconhecer essa dimensão ampliada representa um passo importante para consolidar práticas paliativas mais consistentes em diferentes contextos sociais e regionais do país.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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