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Jornal Ônibus > Blog > Notícias > Como escolher um mentor pode impactar seu desenvolvimento profissional em segurança?
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Como escolher um mentor pode impactar seu desenvolvimento profissional em segurança?

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez Publicado em julho 28, 2026
Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Ernesto Kenji Igarashi, com sua experiência de especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, apresenta a seguinte situação: dois profissionais entram no mesmo curso, tiram certificações parecidas e começam com remunerações equivalentes. Alguns anos depois, um coordena operações críticas e o outro segue na mesma função de sempre. A diferença raramente está na técnica; na verdade, está em dois recursos que quase ninguém trata como parte da formação: a mentoria e o networking. 

O detalhe incômodo é que essas duas alavancas quase nunca são ensinadas. A grade técnica cobre protocolo, legislação, gestão de risco e resposta a incidente. Ninguém senta o profissional para explicar como escolher um mentor, como manter uma rede viva ou por que a pessoa certa dentro de uma sala pode encurtar anos de tentativa e erro. Formamos gente tecnicamente competente e estrategicamente sozinha.

Será que o mentor realmente puxa você para cima?

Existe uma fantasia comum sobre mentoria: a de que o mentor é alguém que puxa você para cima, apresenta as pessoas certas e resolve o acesso. Na prática, o valor está em outro lugar. Um bom mentor já cometeu os erros que você está prestes a cometer e consegue apontar a parede antes de você caminhar em direção a ela. Ele não encurta o trajeto porque conhece gente influente; encurta porque conhece o terreno e sabe onde estão os buracos.

Isso muda o critério de escolha. Não se procura o nome mais poderoso, e sim quem viveu o problema que você tem agora. Um coordenador que já montou o plano de contingência de um evento de grande porte ensina mais sobre esse desafio específico do que um diretor distante da operação. A proximidade com a dor concreta vale mais do que a altura do cargo.

Networking não é colecionar contatos, é manter poucos vivos

A palavra networking envelheceu mal. Virou sinônimo de trocar cartão, empilhar conexões e cumprimentar desconhecidos em evento. Rede de verdade é o contrário disso: poucas relações, cultivadas com regularidade, em que existe troca real. Dez pessoas que atendem seu telefone às onze da noite valem mais que mil seguidores que não lembram seu nome.

O que é networking profissional na prática? 

Dentre o conceito apresentado, é importante destacar que o networking profissional é a manutenção ativa de um pequeno grupo de relações de confiança em que informação, indicação e ajuda circulam nos dois sentidos. Assim, não é volume de contatos, é frequência e reciprocidade.

Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Essa reciprocidade é o ponto que mais gente ignora. Quem só aparece quando precisa de algo queima a própria rede em poucos anos. Ernesto Kenji Igarashi aponta que os profissionais que sustentam relações duradouras no setor são os que oferecem antes de pedir: passam uma informação útil, indicam alguém para uma vaga, avisam sobre um risco iminente. A conta fecha no longo prazo, nunca no imediato.

Por que o setor esconde essas alavancas?

Há uma razão cultural para o silêncio em torno do assunto. Segurança é uma área que valoriza discrição, hierarquia e mérito técnico visível. Pedir ajuda pode soar como fraqueza; admitir que uma indicação abriu uma oportunidade parece diminuir o próprio esforço. Então o tema fica no não dito, e cada geração redescobre sozinha o que poderia ter aprendido sem custo.

O silêncio não elimina o mecanismo. Só o torna invisível para quem mais precisaria dele. Portanto, quem já vem de família com trânsito no setor aprende as regras em casa; já quem chega de fora leva anos para perceber que existia um jogo paralelo acontecendo o tempo todo. Ernesto Kenji Igarashi elucida que essa assimetria de acesso, e não a de talento, explica boa parte das carreiras que estacionam sem motivo aparente.

O erro de esperar o momento certo para começar

Muita gente adia mentoria e rede para quando “estiver mais preparada”. É o raciocínio invertido. Ninguém procura mentor depois de resolver os problemas; procura justamente para resolvê-los. E rede não se constrói no dia em que se perde o emprego, quando o desespero fica evidente em cada mensagem enviada às pressas. Constrói-se antes, sem urgência, quando a relação ainda pode ser genuína.

Começar cedo tem uma vantagem silenciosa. As pessoas com quem você cresce sobem junto. O colega de hoje é o gestor de amanhã. Ernesto Kenji Igarashi comenta que grande parte das oportunidades relevantes de uma carreira chega por vínculos criados muito antes de qualquer necessidade prática aparecer.

A carreira se constrói em rede

O modelo antigo, aquele em que bastava fazer bem o próprio trabalho e esperar o reconhecimento, sempre foi meia-verdade. Competência é a base: sem ela, nada se sustenta. Mas competência isolada avança devagar. O profissional que combina domínio técnico com uma rede viva e a orientação de quem já trilhou o caminho não trabalha mais que os outros. Trabalha com menos ruído, menos retrabalho e muito menos tempo perdido em erros evitáveis.

Talvez a virada de mentalidade mais útil seja parar de enxergar mentoria e networking como atalhos oportunistas e passar a tratá-los como parte do ofício. Ernesto Kenji Igarashi resume que carreira, no fundo, é um esporte coletivo disfarçado de conquista individual, e que reconhecer isso cedo é o que separa quem acelera de quem apenas persiste.

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