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Leitura: Preservar ou Tratar? Decisões Cruciais na Geriatria em 2026, por Yuri Silva Portela
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Jornal Ônibus > Blog > Notícias > Preservar ou Tratar? Decisões Cruciais na Geriatria em 2026, por Yuri Silva Portela
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Preservar ou Tratar? Decisões Cruciais na Geriatria em 2026, por Yuri Silva Portela

Viktor Sundalen
Por Viktor Sundalen Publicado em setembro 3, 2026
Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

O envelhecimento da população está mudando a forma como a medicina acompanha pessoas mais velhas, e o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, acompanha de perto essa perspectiva de cuidado. Na geriatria, controlar doenças continua sendo essencial, mas a avaliação do paciente também precisa considerar sua capacidade de caminhar, realizar tarefas, tomar decisões e manter uma rotina independente. 

Leia mais a seguir!

Por que tratar a doença não é suficiente?

Uma pessoa idosa pode conviver com hipertensão, diabetes ou outras condições crônicas e continuar realizando suas atividades normalmente. Outra pode apresentar poucos diagnósticos, mas ter dificuldades para caminhar, tomar medicamentos, preparar refeições ou sair de casa. Nesse panorama, a quantidade de doenças não revela, sozinha, como está a saúde de alguém. Observar essas limitações ajuda a identificar necessidades que nem sempre aparecem em uma consulta convencional.

Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, a geriatria considera justamente essas diferenças. O atendimento pode observar aspectos físicos, cognitivos, emocionais e sociais para compreender como cada condição interfere na vida cotidiana. Dessa maneira, o cuidado deixa de se concentrar exclusivamente nos resultados de exames e passa a considerar também aquilo que o paciente consegue ou não fazer. Essa visão mais ampla permite reconhecer mudanças na autonomia e orientar cuidados de acordo com a realidade de cada pessoa.

Essa avaliação é importante porque uma doença aparentemente controlada pode continuar comprometendo a rotina. Uma dor persistente, por exemplo, pode reduzir a mobilidade e favorecer o isolamento. Já determinados medicamentos podem exigir atenção quando provocam efeitos que aumentam o risco de quedas ou prejudicam as atividades diárias. Por isso, acompanhar a funcionalidade também pode ajudar a perceber problemas antes que eles interfiram de forma mais intensa na independência.

O que significa preservar a funcionalidade?

Funcionalidade é a capacidade de realizar atividades e participar da vida de acordo com as próprias possibilidades. No envelhecimento, isso envolve desde ações básicas, como tomar banho e se alimentar, até tarefas mais complexas, como administrar dinheiro, utilizar transporte, organizar compromissos e manter relações sociais. Essas capacidades ajudam a mostrar o nível de autonomia da pessoa e como ela consegue conduzir sua rotina.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Fundado nisso, como destaca o Doutor Yuri Silva Portela, preservar a funcionalidade não significa simplesmente impedir qualquer limitação. O objetivo é identificar mudanças que possam comprometer a independência e buscar maneiras de manter as capacidades existentes pelo maior tempo possível. Atividade física adequada, acompanhamento das doenças crônicas, revisão de medicamentos e atenção à saúde mental podem fazer parte dessa estratégia. O acompanhamento regular também permite perceber alterações com antecedência e ajustar os cuidados conforme novas necessidades aparecem.

Tratar ou preservar: é preciso escolher?

Na prática, não existe necessariamente uma oposição entre tratar doenças e preservar a funcionalidade. Os dois objetivos podem caminhar juntos. O controle adequado de uma condição crônica, por exemplo, pode justamente ajudar a evitar complicações capazes de reduzir a independência do paciente. Assim, o tratamento pode contribuir não apenas para controlar a doença, mas também para preservar a autonomia no dia a dia.

A questão está em estabelecer prioridades de acordo com cada pessoa. Um tratamento pode ser tecnicamente adequado, mas precisar de ajustes quando seus efeitos interferem de maneira significativa na rotina. Da mesma forma, uma recomendação precisa considerar idade, condições clínicas, capacidade física, cognição, ambiente familiar e objetivos individuais. Esse cuidado individualizado ajuda a equilibrar as necessidades de saúde com aquilo que é possível e importante para cada paciente.

Conforme informa o Doutor Yuri Silva Portela, essa perspectiva também evita decisões baseadas apenas em protocolos gerais. Pessoas da mesma faixa etária podem apresentar condições muito diferentes. Uma delas pode morar sozinha e ser completamente independente, enquanto outra pode precisar de apoio para atividades básicas. O planejamento do cuidado precisa levar essas diferenças em consideração. 

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